sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Homem x Mulher em 140 caracteres

Hoje eu te apresento alguns dos meus posts no twitter, que falam sobre mulher, homem e a relação entre eles. A primeira mensagem escrevi numa noite em que estava com muito sono e por causa do vício não desligava o PC. O sono então me trouxe um "surto de inspiração". Depois de escrever várias frases, resolvi juntar todas e finalmente estou aqui, apresentando pra você!
PS: Todas as mensagens eu escrevi sem copiar de lugar algum. Se for parecida com a frase de algum pensador famoso, é mera coincidência.


  • Não pergunte para uma mulher "Você está de tpm, né?". Mesmo que ela esteja, isso soa como um insulto. #ficadica

  • Não pergunte para uma mulher "Vc vai assim?". Mesmo q seja em tom de elogio, ela vai se sentir insegura e vai te odiar por alguns segundos.

  • Tire alguns minutos para reparar nas atitudes de um homem diante de uma mulher bonita que ele acaba de conhecer. Parece uma criança boba.


  • Não compare sua mulher com uma amiga, prima... Por mais q a comparação seja banal, como tamanho da unha, ela vai odiar você e a mulher tb.

  • Segura de si e muito bem resolvida é a mulher que reconhece que aquela moça que o cara achou linda é realmente deslumbrante.

  • Um elogio masculino pode salvar a vida de uma mulher. Se ele elogiar, é porque reparou. Se ele reparou, é porque ela chamou a atenção.

  • Não fique muito tempo encarando uma mulher que vc sabe q está de tpm. Ela com certeza vai achar q vc está reparando nos defeitos dela.

  • O homem que se esforça e consegue reparar que o sapato da mulher está combinando com o look dela, ganha mais q o coração dessa mulher.

  • O cara consegue ganhar uma mulher mais rápido se elogiar o anel dela, ao invés de chamá-la de gostosa. (há excessões)

  • Duas mulheres seguem na rua. O cara grita "Aô delícia". A que olhar para trás, começar a rebolar e/ou mexer nos cabelos é a perigueti.

  • Não adianta querer mudar, é instinto do homem olhar para o corpo das mulheres. Eles olham e sempre vão olhar.

  • "Ódio", "saco cheio", "não aguento mais" e afins ficam mais constantes no vocabulário de uma mulher de tpm.

  • Um plano para saber se uma mulher está de tpm: Alugue uma comédia romântica bem besta. Se ela chorar, está de tpm. Se ela ODIAR, também!

  • Uma mulher de tpm é um perigo no trânsito. Ela faz coisa errada e ainda paga pra entrar na briga!

  • Mesmo ñ gostando de ir shopping e ficar olhando vitrines, tendo manias bem feias, ñ enxergar detalhes (...) os homens são sim encantadores!

  • ...os homens são sim encantadores! Principal e especialmente aquele que a gente ama.

  • Quando uma mulher reclamar do mundo, estiver com dor de cabeça e disser que dava tudo pra ficar em casa, não a contrarie, ela está de tpm!

  • Quer deixar uma mulher intrigada? Olhe para ela, finja que comentou alguma coisa com um amigo e dêem risadinhas. Ela vai ficar louca!

  • A maior ilusão feminina é acreditar que pode mudar um homem.

  • A maior ilusão masculina é acreditar que a mulher vai desistir de tentar mudar um homem.

  • A curiosidade somada à boca grande da mulher fazem dela um perigo.

  • As mulheres que reclamam que homem "só quer saber do corpo" são as feias.

  • ou: As mulheres que reclamam que homem "só quer saber do corpo" são as mal resolvidas.

  • Nem todas as mulheres que são bonitas, são bem resolvidas.

  • Pior que mulher bonita mal resolvida é mulher feia que se acha. (tá, parei de gracinhas. Hiahsdiuah...)

  • O prazer de ser homem está em contemplar a existência da mulher bonita. O prazer de ser bonita está em humilhar a existência da mulher feia.

  • O homem que não se garante precisa chamar a atenção da mulher de alguma forma. Os mais idiotas exibem carro, som potente, roupa de marca...

  • "Estou com dor de cabeça" é a forma mais delicada da mulher dizer ao esposo "cala a tua boca e vê se dorme!"

  • Homens: O que vem primeiro, a mulher ou o dinheiro?

  • Qual o objetivo do homem em mexer com uma mulher na rua? Ele acha que ela daria alguma moral par ele, assim, na rua mesmo? #dúvidafeminina

  • Pq um motoqueiro (ou ciclista) qndo vê uma mulher na rua, empina moto (ou bike)? Axa q ela vai dar moral só pq ele faz 'manobras radicais'?

  • As mulheres já sabem que os homens que contam muita vantagem, na verdade não fazem nada. Os que realmente fazem, não se gabam (tanto).

  • Toda mulher se derrete qndo um homem elogia seus cabelos/ sapatos/ bolsa... Parece idiota, mas se sentir bem por isso é natural da mulher.

  • A mulher se sente bem ao ser elogiada fisicamente, assim como o homem se sente bem quando outro cara elogia seu carro/ moto/ mulher...

  • Homem: aparecer do nada, com uma simples rosa nas mãos, deixa qualquer mulher caidinha. Mulher é muito, muito fácil de se conquistar!

  • Mulher é muito desconfiada e curiosa. Em alguns casos, essa combinação pode ser fatal.

  • Assim como nem todos os homens ficam se mostrando com som potente e carro equipado, nem todas as mulheres gastam o dinheiro além do limite!

  • O sapato é lindo e está em promoção, mas não combina com ela nem com nenhum look dela. Mesmo assim, ela compra. Por quê? #mistériofeminino

  • Ela não assume, mas no fundo odeia toda e qualquer mulher que não conhece e que chega sorridente cumprimentando seu namorado/marido/noivo.

  • Os homens mais insuportáveis vc encontra numa academia de musculação. Eles estão sempre estufando o peito e medindo o braço do cara ao lado.

  • Se o homem não compra presentes, não é romântico... a mulher reclama. Quando ele resolve mudar, ela suspeita. #mistériofeminino

  • os homens não deviam confiar 100% no amigo gay da namorada/esposa/noiva.

  • "Ai, ele é gay" é a primeira desculpa que surge na cabeça da mulher para despistar o pq de tanta 'gracinha' com outro cara.

  • "Lindos os olhos dela" é uma das primeiras coisas que uma mulher diz para tirar a atenção do homem, que estava em outro lugar na tal mulher.

  • "Que vontade de comer chocolate!!!" é o que ela diz quando está começando a ficar no período da tpm. É como um aviso.

  • O primeiro defeito que a mulher vê na outra, é justamente na parte do corpo em que ela não está satisfeita.

  • Se ela repara nas pernas de outra mulher, é porque não está 100% satisfeita com as suas.

  • O homem mostra uma mulher bonita para o amigo. Para uma amiga, a mulher mostra uma possível ameaça para o relacionamento.

  • Ele diz: "Cara, olha que mina gata" / Ela diz: "Olha aquela mulher. Olha como ela se acha! Olha aquele decote!!! Cuidado com ela..."

  • Mulheres, assim como nós precisamos andar no shopping para relaxar, os homens precisam sair com os amigos pra relaxar também. Entendam!

  • Assim como nosso papo ñ é interessante p/ eles, o papo deles não é interessante para nós.

  • Homens: a mulher nunca vai compreender a necessidade de vcs sairem com os amigos. Ela ñ vai compreender simplesmente pq ñ quer compreender.

  • Homens me fazem rir. O cara pode ter muitos anos de vida, mas qndo vê um jogo violento, um vídeo game e mulheres, ele age como adolescente.


  • Mulher noveleira diz: Por que homem não entende q o que ele tem para falar, pode ser dito depois. Já o capítulo da novela não tem replay!?

  • Homem diz: Por que mulher não entende que o q ela tem para dizer, não precisa ser dito em nenhum momento, muito menos na hora do futebol?!

  • Mulher qndo tem ataques de ciúmes inúteis, chora por nada, implora por chocalate não pode ser contrariada. Mulher na #tpm não se contraria.

  • Homem que tem o costume de elogiar ganha uma mulher facilmente. Mas tem que ser elogios na medida certa. E para as pessoas certas.

  • Aquele que elogia muitas mulheres ao mesmo tempo perde a confiança de todas. Elas pensam "ele elogia qualquer uma, é um galinha mesmo".

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Rafaela Gizzi

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Diário de uma roedora

Hoje eu te apresento o “Diário de uma Roedora”. Relatos da vida de uma roedora que sofre com onicofagia desde os tempos de criança. Que cresceu com a culpa e a necessidade de roer unha. Foi adolescente com certa inveja [boa] das mãos bonitas e unhas grandes das amigas. Tornou-se mulher e ainda luta para resistir à relação das unhas com os dentes. Luta difícil, árdua, cruel. Relação de amor violento. Diário de uma roedora que cresceu, mas as unhas...

[na infância]

Não me lembro exatamente quando foi o primeiro contato entre meus caninos e minhas unhas. Só sei que foi aqueeele amor a primeira vista. Paixão que pega fogo. Relação de amor violento.
E o romance é tão intenso que entra ano, sai ano, e ele continua firme - e forte. Os encontros acontecem várias, milhares, incontáveis vezes ao dia. E sempre uma das partes sai ferida. Na maioria das vezes – diria até todas as vezes – os dedos são as vítimas. Eles saem destruídos, doloridos, vez ou outra acompanhado de gotículas de sangue minando da área violentada. Mas eles não desistem e sempre estão lá, procurando os caninos, com força e velocidade. E estes, por sua vez, executam sua função ferozmente. E assim segue um misto de dor com prazer. Sangue e saliva. Língua, dente, unha, dedo, pele. A vontade de consumar uma separação é tomada pela inexplicável força superior que faz com que os dedos alcancem a boca.

Nas contas de minha mãe, os meus indícios de roedora começaram com uns 8 anos, pra menos. Diz que cerca de 20% a 30% das crianças de 7 a 10 anos são roedoras ferozes. Mas os que mais sofrem com a relação “unha e dente” são os adolescentes. Há tratamentos e terapias que nunca fiz. Mas várias psicologias infantis já foram aplicadas pela minha mãe. Em vão, claro!

Com os constantes fracassos, começou a partir para a ignorância. Por todos os meus 8, 9, 10, 11, 12, 13 anos eu ouvi berros:

- Tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiraaaa esssa mããããooo da boooocaaaaa!!!!

- Pááááááááraaaa de roer essas unhaaassss!!!!!!!!

Mas era incrível. Justamente quando minha mãe me mandava “parar de roer unhas”, eu não estava roendo unha. Nesses casos a vítima já era a cutícula. Ou até mesmo a ponta dos dedos. Porque unha que era bom, já não se fazia suficiente.

Mas os gritos já não intimidavam. Era tirar os olhos de mim, os dedos corriam à boca.

Já tomei tapas nas mãos, na boca... e quando errava acertava o olho mesmo, o nariz, ia tudo no rumo, não interessa. O que importava era que a mão saísse da boca.

Já ouvi a historinha da pimenta no dedo. Das bactérias que entram na barriga (que não deixa de ser verdade, pois o ato de roer unha é como um transporte dos germes que estão embaixo da unha para a boca). Do dedo que pode cair. Do esmalte com gosto amargo. Nada, nada disso intimida um roedor nato. Já cheguei a ouvir até uma história, mais ou menos assim:

- Quando você rói, você engole aquele pedacinho da unha. O pedacinho vai parar no seu estômago e pode até furar seu órgão. [sim, pasmem, eu já ouvi isso]

- Mas... – eu respondia – eu não engulo o pedaço da unha. Eu cuspo.

- Nãão interessa, sempre entra um pedacinho sem você perceber.

- Hum... – nesse momento já não mais respondia, eu pensava comigo mesma, para não dar mais pano pra manga – eu cuspo o pedaço todo da unha. Não engulo nada. Eu cuspo! – repetia comigo – Eu cuspo, cuspo...

É, é muito nojento. Mas todo roedor faz isso e acha super normal. Põe a unha entre os dentes, corta, cospe. Põe outra unha entre os dentes, rasga, cospe. E assim vai. Tá, dependendo do lugar, não dá para cuspir. Então o dedo indicador e o polegar do roedor se encontram, formando uma espJustificarécie de pinça e, num movimento discreto [o roedor acha que é discreto], o pedaço de unha é retirado da ponta da língua e descartado em seguida.

[na adolescência]

Nunca chegaram a colocar pimenta nos meus dedos [não que eu me lembre]. Na época que estava um pouco maior, ou como diriam os iletrados, mais grandinha, eu comecei a apelar para os esmaltes. Já usei aquele com gosto ruim, sabe?! É... Foi uma experiência engraçada.
Você passa o esmalte e se sente poderosa. “Não vou ousar colocar a mão na boca com esse esmalte nojento”
Passa alguns minutos, um momento de distração e... “Arrrgggt”.

Lembro-me como se fosse hoje. Aquele gosto estranho que se espalhou por toda a língua [mais ou menos quando você come uma banana verde, que “amarra” sua boca]. Naquele momento você se arrepende com todas as suas forças de ter colocado o dedo na boca. Pior ainda, de ter inventado de passar esse maldito esmalte.

Na segunda armadilha da distração, o gosto parece mais ameno. Na terceira, você já não liga. Aí nas vezes seguintes você já se acostumou com aquele maldito gosto e a armadilha cai por terra. É hora de partir pra outra. Ou permitir a relação “unha e dente” de uma vez.

Maaass as mães não desistem nunca. Com a esperança de levar a filha em uma manicure e sair de lá com as unhas pintadas com um lindo esmalte, a minha mãe tentou apelar para o psicológico. Era abrir a carteira e... cai um papelzinho: “Filhinha, roer as unhas faz mal à saúde”. Abrir o caderno e... um recadinho diferente: “Amor, pára de roer unha, sua mão está ficando feia”. A cada recado o apelo ia ficando mais intenso. Mas... Parecia que as palavras carinhosas não surtiam efeito. Vários e vários outros recados foram escritos. Com sucesso? Am... adivinha?

Sim, ela desistiu. E os recadinhos acabaram. Nesse momento eu já começava a perceber que ela tinha razão. Que minhas mãos estavam horríveis, desprezíveis, se comparadas às das minhas amigas que iam à manicure toda semana e pintavam as unhas com cores escuras e lindas.

- Aff, manicure, coisa de gente fútil. – era o que eu pensava, ou melhor, me convencia para não aceitar que eu morria de vontade de “fazer as unhas” e usar esmaltes coloridos, vibrantes, lindos...

Mas nuuuunca que ousarei ir à uma manicure sendo que nem unha tinha para lixar e pintar. Cutícula? Que nada. Haviam resquícios de peles que o alicate nem alcançaria. Quantas e quantas vezes fiz ferida no dedo, saindo sangue e a cutícula já nem crescia mais direito. Ai se eu ousasse ir à uma manicure, todo o salão ficaria olhando aqueles dedos estranhos, machucados, inchados, sem unha... Definitivamente, manicure não!

Precisava agir. Sozinha.

Estoques de esmaltes. Passa esmalte, tira esmalte, passa esmalte, tira esmalte... até a unha ficar um pouquinho maior. E ela crescia! Crescia porque ao invés de cortar a unha com os dentes, meus caninos trabalhavam para retirar o esmalte. Isso permitia um crescimento.

E eis que elas ficavam grande e moles e frágeis e quebradiças. Impossível ficar com as unhas inteiras sem esmalte. E haja acetona, algodão e esmaltes coloridos. Tive até um esmalte que brilhava no escuro. Aquele era o máximo.

Mas... era um quebradinho e... eu me entregava. As nove unhas inteiras eram sacrificadas por conta de uma que quebrou sozinha. Me rendia ao sacrifício prazeroso de roer. Retomei minha vida de roedora.

[pós-adolescência]

Já havia me entregado de vez e me assumido uma roedora eterna. Perdi a guerra para mim mesma. Mas perdi a guerra porque no fundo, eu não queria ganhar. Eu não queria acabar com o prazer de roer. Trucidar as unhas com os dentes era muito mais prazeroso que ficar olhando, só olhando, as unhas grandes, com esmalte.

Meus dedos já estavam feios. O ato de ficar puxando a pele da cutícula com a boca já estava me causando a chamada paroníquia crônica, que é a infecção da pele ao redor das unhas, caracterizada por inchaço, vermelhidão e aumento da sensibilidade. O dermatologista Marcelo Bellini, professor da Sociedade Brasileira de Dermatologia e Estética, explica que essa doença interfere no formato das unhas e compromete seu crescimento. Tinha vez que um dedo passava mais de semanas inchado. A cutícula não crescia mais. E as unhas... cada vez mais fracas.

E agora, passada a adolescência, precisava ter mãos de mulher. Mãos bonitas e delicadas. Foi aí que comecei uma nova batalha. Com muuuuuiiiiiiiitttttooooo esforço e muiiiiiitoooo esmalte também, tenho conseguido fazer as unhas ficarem compridas por mais de um mês.

No momento estou de esmalte. E quando vou à manicure volto feliz da vida [como toda roedora que consegue ir à manicure]. Sempre passo cores fortes. Vermelho é meu preferido. E tem justificativa: Com esmalte escuro eu não ouso colocar a unha na boca e estragar o esmalte e ficar aquela coisa feia saindo e com aspecto de mão suja.

Hoje o prazer de olhar para as unhas grandes e de receber elogios é muito maior que o prazer de devorá-las entre os dentes.

Por isso que eu digo: mães, desistam de quaisquer tipo de psicologia. Há sim tratamento para a onicofagia. Tratamento com remédios, terapias. Mas como afirma a psicoterapeuta Maura de Albanesi, pós-graduada em terapia corporal, “a força de vontade vale muito mais”. E é justamente a força de vontade que acaba com a mania, ou vício. E a força de vontade só virá quando a pessoa sentir que suas mãos já estão feias o bastante, já sangraram o bastante, já incharam o bastante.

O motivo para uma pessoa se tornar um roedor, segundo os médicos, é a ansiedade, angústia, falta de segurança, muita timidez, solidão, estresse, nervosismo... No meu caso, talvez seja ansiedade.

Ok, não estou totalmente liberta, ainda. Acredito que quem é um roedor desde criança, morre roedor. Mas tenho me controlado bastante. Estou de esmalte nas unhas neste momento, e sempre me pego com o dedo na boca. Seja passando o dente por debaixo da unha, seja tentando puxar uma pequena cutícula. A relação de amor violento entre minhas unhas e meus caninos não terminou. Mas agora as unhas engataram num relacionamento muito mais sério: com o esmalte. É uma relação bem menos violenta, onde ninguém sai prejudicado, ferido. Quando o esmalte está saindo, a acetona entra em cena com o algodão. Imediatamente uma outra camada de esmalte vem, sem deixar a unha pensar no dente. E assim vai... eu tentando uma separação e forçando uma nova relação de amor.

É muito emocionante poder desenhar florzinhas, ir à manicure, passar esmalte vermelho... Dá pra fazer até francesinha! É acho que as unhas já se apaixonaram pelo esmalte.

E os dentes? Sim, eles sentem muita falta das unhas. Mas nas horas de resistência, os dentes travam uma batalha contra a pelinha do canto da boca. Outra relação de amor violento. Morde, puxa, sangra. E em seguida eu ouço um berro: “Páááááááárrraaaa de mooooorrddeeerrr esssaaaa boooccaaaa!!!! Queeeee maaaaniiiiaaaa maaaiiiisss feeeiiiiaaa”.

Minha mãe não desiste, nunca.


















Unha e dente: uma relação de amor violento, onde os dedos sempre saem doloridos, sangrando...



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Rafaela Gizzi

sábado, 8 de novembro de 2008

Falando no Silêncio

Como eu não gosto de ver o blog sem atualizar por muito tempo, aproveito a “minha vez” de postar e deixar aqui a minha apresentação de hoje.

Espero que agora as atualizações fiquem mais freqüentes, contando que o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do Carlos, e o meu também, já estão prontos, não temos mais desculpas. Só falta apresentar para a banca. Segunda-feira (10/11) é a minha vez. No meu próximo post, o meu TCC será apresentado aqui!

Bom, infelizmente eu não anotei e me esqueci de muitas das coisas que eu pretendia escrever no blog. Mas hoje me veio uma idéia, que eu achei bem pertinente. Por conta disso a apresentação da vez não se trata de nenhum artista, nem banda, nem música, nem vídeo, nem livro... Hoje quero apresentar-lhes um “mundo” diferente. Mundo este que eu conheci mais a fundo nesse ano e, mesmo conhecendo pouco já gostava, agora me apaixono cada dia mais.

Acredito que nem todos conheçam o mundo dos Deficientes Auditivos, mais conhecidos como Surdos. Primeiramente é necessário esclarecer que a expressão surdo-mudo não é correta, porque a pessoa surda não fala simplesmente porque não ouve. Eu particularmente não sabia disso e percebo que muitas pessoas ao meu redor também não conhecem. Um surdo pode vir a falar, fazendo tratamento com fono. [Tratamento este que é muito curioso!]

Os surdos são sim normais, eles apenas não ouvem e por conta disso se comunicam com a linguagem de sinais – LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). Atribui-se às Línguas de Sinais o status de língua porque elas também são compostas pelos níveis lingüísticos: o fonológico, o morfológico, o sintático e o semântico. A língua de sinais é diferente conforme regiões. Muitos sinais utilizados pelos surdos aqui no Mato Grosso do Sul são diferentes dos utilizados pelos surdos de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, enfim... É como nosso sotaque. Gírias. Coisas assim, que são diferentes de região para região. Assim como os sinais daqui não os mesmos de outros países. É como diz Eulália Fernandes (2003): “como todas as línguas orais-auditivas, não são universais, isto é, cada comunidade tem a sua”. O sinal de "Eu amo você", muito usada pelos surdos aqui, foi adotada do inglês "I Love You".

O “mundo” do silêncio é bem diferente do universo dos ouvintes. A primeira língua de um surdo é a LIBRAS, a segunda língua é o português oral e/ou escrito. Existe uma cultura surda, uma identidade. Se você acha que não sabe sinais e por isso vai se comunicar escrevendo para um surdo, você vai se surpreender. A construção das frases deles é completamente diferente da nossa. Não espere lógica em um texto escrito por um surdo. As palavras são colocadas em ordens diferentes das que nós utilizamos. Eles não conhecem a nossa Gramática. Não utilizam “de”, “e”, “do”, “que” ... pronomes de ligação. As exclamações e interrogações, para eles, não são símbolos (? !) e sim expressões faciais.

É complicado descrever. Eu ainda estou aprendendo. Faço curso de LIBRAS, estou no nível intermediário e já sei alguns sinais. Mas a parte de construção das frases eu ainda estou enfrentando dificuldades. Para que você tenha uma noção do que eu quero dizer:

Eu digo - Eu não vou poder viajar
Um surdo diz - Não eu viajar poder

Quer mais? “Blusa feio comprar não”, “Gostar não carne, preferir frango, peixe”... E por aí vai. E por aí vai complicando mais...
Percebem que é um “mundo um pouco complicado”?
Você conseguiria atender um surdo que entrasse em sua loja? Você conseguiria ensinar um aluno surdo que entrasse na sua turma? Você brincaria com uma criança surda? Você conseguiria se comunicar com eles?

Pretendo não me estender mais. Gostaria de ter separado um material com informações bem mais consistentes. Mas como o tema foi pensado de última hora, fico já fico por aqui. Depois dessa breve apresentação, deixo alguns vídeos interessantes relacionados ao tema e deixo também o desafio para você procurar mais sobre esse mundo, que é fascinante! Fascinante porque trabalha com expressões faciais, movimento corporal, postura, visual... Fascinante porque muito pode ser dito sem uma palavra ser pronunciada. Também aprendemos muito no silêncio. Sem abrir a boca, posso me comunicar com muitas pessoas.

Na net podemos encantrar um dicionário de LIBRAS. Nesse dicionário você pode conhecer vááááários sinais e ainda entender um pouquinho de tudo o que eu gostaria de apresentar-lhe.

Algumas palavras, cumprimentos, perguntas básicas... são demonstrada neste vídeo.

E através desses endereços, você pode encontrar outros, se lhe interessar!
E aí, você conhece algum surdo?
Você conhece o “mundo surdo”?
Não?! Então psiiiiiiu... e vem cá que eu te apresento!!!

(Lembro-me que quando criança, eu tinha um calendário pequenino e na parte da frente tinha o alfabeto em LIBRAS. Como se fosse ontem, me recordo que guardava aquele calendário antigo na minha carteira e ficava horas e horas treinando e aprendendo letra por letra. Comecei a treinar meu nome e acahava que eles só se comunicavam com os sinais do alfabeto. Não fazia a menor idéia de que a palavra "sorriso", por exemplo, tinha um sinal específico. Para mim, essa palavra, entre todas as outras, era descrita letra a letra)

O alfabeto é pouco utilizado. As letras se fazem mais presentes quando é necessário escrever o nome de alguém, por exemplo.


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Rafaela Gizzi

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O leilão

Oi pessoal. Estava com muitas saudades. Ausentei-me durante esse longo tempo, por problemas com a meu TCC. Como todo brasileiro, deixei para última hora e me ferrei. E paguei caro por isso. Uma das coisas que tive que deixar de lado, foi o blog. Uma grande paixão na minha vida. Reservei um tempo da correria do TCC e deixo aqui meu relato sobre uma experiência muito legal.


Na sexta-feira eu tinha ido dormir depois das 4 da manhã.

Quando foi 9 horas da manhã de sábado. Meu celular tocou. Não lembro o toque, já que mudo ele praticamente todos os dias. Mais garanto: era um legal.

Quando vi quem era, meio que assustei.

Era a Ariane. Ela nunca me liga, e se estava ligando, era para um motivo especial.

- Oi Ari! (Eu a chamo de Ari)

Estava bêbado de sono imagina minha voz!

- Oi Charles. (É assim que ela me chama). Tenho um super convite pra te fazer.

- Hmnmn. Diga. (com aquela voz de sono)

- Hoje vai ter um leilão do Hélio Coelho Produções. Topa ir???

- Lógico. (nesse momento eu despertei) To pronto já.

Depois de desligar o telefone eu fui e me troquei rapidão, já que o Firmino ia me dar uma carona. Queria chegar antes de começar o grosso do leilão.

O evento foi no Tatersal de Elite (local destinado a leilões) da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul – Acrissul.

O dia estava muito quente, e o salão do tatersal estava lotado. Quando cheguei lá estava a Ari me esperando em uma mesa, com o Diego, seu namorado e meu amigo.

Ficamos os quatro lá na mesa, que estava na boca da baia onde os animais eram apresentados a ofertas.

O leilão estava sendo transmitido ao vivo pelo Canal do Boi, e como trabalho na empresa, fiquei procurando alguns conhecidos. Enquanto dava aquele geral, prestei bem atenção nos tipos que estavam no recinto.

Produtores rurais. Grandes fazendeiros. Famílias curiosas. Mulheres pecuaristas. E muito outros tipos humanos faziam parte do lugar.

O fluxo de garçons com petisco de amendoim, refrigerante, cerveja e wisky era intenso. Pra começar fiquei somente no amendoim e no refrigerante, já que tinha acabado de acordar.

Entre nossa mesa e a baia de apresentações, ficavam os pisteiros, que são as pessoas responsáveis em anotar os lances dos produtores rurais, enquanto os leiloeiros ficavam lá anunciando os lances e gritando: QUEM DÁ MAIS. QUEM DÁ MAIS. DOU-LHE UM. DOU-LHE DUAS. DOU-LHE TRÊS. VENDIDOOOOOOOO.

Pra quem já assistiu filmes que têm cenas de leilão, de qualquer tipo, pode ter uma idéia de como é a loucura de um leilão.

A manhã foi passando e a sede foi aumentando. Quando não agüentava mais, estiquei o braço para frente de fiz sinal com o dedo. Só que nesse momento, uma pisteira olhou pra mim e disse. AAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

Meu coração parou, minha respiração acelerou.

MEU DEUS!!!

FIZ UM LANCE.

A vaca já estava em mais de 18 parcelas de dois mil reais.

Meu primeiro pensamento foi: o que eu vou falar pro meu pai quando eu chegar em casa com uma vaca valendo mais de 30 mil reais?

Meus amigos da mesa estavam TENSOS.

Tudo se resolveu quando eu agi pelo bom senso e fui até aquela discreta senhora que anunciou meu lance, para falar que eu apenas queria um pouco mais de refrigerante (a garçonete na hora do meu “lance” estava atrás dela) e não arrematar uma vaca. Ela ficou puta da vida e me deu o maior ralo. Até de irresponsável ela me chamou.

Depois da puteada, voltei para a mesa que nem guri cagado. QUIETO.

Passado alguns minutos, foi servido o almoço.

Arroz com brócolis. Um pedação de contra filé mal passado (eca!). Salada de rúcula com tomate seco. Farofa. E um bom copo de cerveja para acompanhar.

Até que estava gostoso.

Engana-se quem pensa que esse foi o momento em que as pessoas se retiravam da mesa para ir embora. É justamente depois do almoço que o wisky começa a rolar.

Do nada começam a surgir barulhos de copos arranhados. Línguas entalando. Gelo sendo mexido com o dedo.

Os murmúrios começam a aumentar e as pessoas começam a fazer os lances. Os pisteiros ficam loucos com tanta mão levantada. Cada ânimo exaltado é narrado pelo leiloeiro. As mais simples ações são gravadas pelas lentes do Canal do Boi. E eu na minha mesa bebendo cada momento no leilão, lógico sempre com as mãos nas pernas e quietas.

Do meu canto bebendo uma cervejinha, vi animais sendo arrematados por mais de 300 mil reais. Muito fora da minha realidade de acadêmico e estagiário.

Vi muitos homens do campo muito estressados, por não terem arrematado aquilo que queriam. Vi os olhos do dono dos animais brilhando, com tanto lance. E me vi, admirado com aquele mundo que eu nunca tinha participado.

Um leilão, desses como eu fui, serve para eu pensar como a sociedade é segregada, isto é, como as pessoas se diferem das outras, de acordo com o mundo em que vive. Ali vi um pequeno grupo de fazendeiros prósperos, que há muito tempo já juntaram sei primeiro milhão. E, apenas 15 metros de onde eu estava, vi um vendedor de picolés e um “cuidador” de carros. Pessoas essas que se conseguirem juntar 500 reais no final do mês, já podem ser consideradas pessoas vitoriosas.

Sai de lá com esse pensamento, de como existem uns com tanto e outras com tão pouco. Era inevitável que não me viesse a pergunta: quem será o mais feliz?

Aquele que ficou decepcionado por não ter arrematado o boi que queria, ou aquele que ganhou cinco reais para cuidar de um carro?

Ficou essa dúvida no ar.

Fui embora com a certeza de que um dia quero voltar a um leilão. Se eu for dar lance (esse real), eu não sei.

Só sei que o clima é muito bom e a cerveja bem gelada.

Quem nunca foi em um leilão, deve ir.

Agora eu faço aquela pergunta que estava demorando para fazer.

Você já foi em algum leilão?

Não?

Eita, então deixa que Eu te apresento!

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Carlos Nascimento Jr.